sexta-feira, 25 de maio de 2007

A Santa do Arouche.


Dona Leonor é uma velha moradora do Largo do Arouche. Mora lá desde os áureos anos 50. Quando se mudou para lá tudo era mais bonito, tudo era limpo e seguro. Mas ela adorava aquele lugar. Nunca sairia de lá. “Quero morrer aqui” dizia ela sempre. Reza uma lenda local que na juventude, Dona Leonor era Linda. Que muitos caíram de amores por ela. Mas ela só tinha olhos para o marido que a muito se foi. Dona Leonor é esse tipo de senhora de cabelos azuis e camafeu no pescoço. Sempre impecável e apesar da idade quase oitenta anos, se mantém ereta e altiva. Uma mulher das antigas. Ainda mantinha a velha educação e os bons costumes tanto que os moradores do prédio que moramos a elegeram sindica. E desde que foi empossada, o prédio é um primor. Sempre limpo, as contas em ordem. Não admitia Barulho nos corredores. Tudo no prédio era perfeito
D. Leonor tinha um hobbie, gostava de ajudar pessoas. Se você tem um problema, conte com ela. Ela vai ajudar. Principalmente meninos de rua e os sem teto da região. Restaurantes famosos sempre ofereciam ajuda financeira. Saia barato.Melhor do que perder fregueses importantes. Mas ela nunca aceitava. Era apenas ela e a neta Lenora. Uma moça linda de cabelos negros. Mas raramente vista. Sempre que perguntavam dela, D. Leonor respondia: “A faculdade toma todo o seu tempo. Vai ser uma ótima doutora”.
Desde que começou seu trabalho com os mais carentes, sempre teve êxito, tirou muitas crianças das ruas e consegui lar para muitos dos sem teto que ela ajudava. No fundo todos se perguntavam como ela conseguia isso. Não é fácil conseguir abrigo para tanta gente. Mas se saíssem de suas portas, estava ótimo. Durante algum tempo o largo do Arouche não teve um sem teto ou um menino de rua para sujar a rua e usar suas portas como latrina. Ate que num domingo chuvoso apareceu no banco da praça uma adolescente. A noticia chegou aos ouvidos de D.Leonor que rapidamente a recolheu do frio e da chuva. Uma coisa chamou a atenção de D.Leonor. A garota era resultado da mais inusitada miscigenação. Filha de pai japonês e mãe negra. Uma mulata nisei. Parece estranho eu sei. Mas acredite, ela é linda.
Mas os moradores do prédio. Viam apenas mais uma criança de rua. Que deveria ser conduzida ao abrigo o quanto antes. Mas D. Leonor tinha um jeito especial de convencer as pessoas a aceitar suas ordens Em poucos minutos. Agora todos concordam que D.Leonor de os primeiros cuidados a jovem desamparada. Já no calor do amplo apartamento de D.Leonor, a bela garota olha em volta. Tem cheiro de chá e a mobília é antiga. Recuperada a garota conta sua historia. Seu pai era comerciante de peixes no mercado municipal. Tinha uma grande Box. Sua vida era ótima. Um dia o pai descobriu que a mãe o traia com um de seus funcionários. Mas não tomou uma providencia que pudesse ferir alguém. Mas naquela noite quando voltava para casa, foi morto num “misterioso assalto”. O corpo do pai ainda estava quente quando a mãe trouxe o amante para dentro de casa. E em pouco tempo tomou conta da casa e do negocio do pai. Uma noite ela viu a porta de seu quarto abrir e viu Seu “padrasto” entrar lentamente. Ela fingiu dormir. Ele se aproximou da cama e começou a acariciar seu corpo. Sentiu suas mãos tocarem seus seios e seu sexo. Queria gritar, mas tinha medo do pior. Desde daquela noite, tem vivido na rua.
- Não tema. Esta a salva agora. Sorria D Leonor.
Eu dormia num sofá próximo. Quando D.Leonor se aproximou e me pegou no colo.
-Conhece meu gato? O nome dele é Ragamuffin. Se quiser somos sua família agora. Eu tenho uma neta mas e difícil ela parar em casa. Estuda muito. Eu estou sempre só. Agora podemos fazer companhia uma a outra se quiser. E ela aceitou.
As semanas passaram e a bela Érika, estava totalmente renovada. Agora ela morava conosco. Os outros moradores nunca reclamaram de sua presença no prédio. Como se ela fosse moradora antiga. Ela ajudava D Leonor como podia. Arruma a casa mesmo sabendo que isso irritava. “Não é minha empregada. Não precisa fazer isso”. Dizia ela. Não reclamava das noites que passava sozinha. D.Leonor estava ocupada ajudando os outros. Assim se passaram seis meses. Então numa noite escura sem lua todo mudou. A jovem Érika. Acordava sempre cansada e tinha pesadelos horríveis. Por outro lado minha senhora agora gozava de uma incrível energia. Ela tinha encontrado a mais pedrosa fonte de energia que uma velha vampira poderia querer. Uma virgem. Seu sangue era puro, doce e sempre que se alimentava sua libido aumentava. Ela voltou a pensar em coisas que a muito tinha esquecido. Não era como o sangue dos indigentes que ela “ajudava” ate pelo contrario. Dava um puta trabalho sumir com os corpos depois. Mais eram perfeitos. Quem liga para esse tipo de pessoa. Sangue farto sem levantar suspeitas. Para olhares curiosos todas estavam bem em seus novos lares.
Muitas vezes a vi se alimentar da jovem. Quando isso acontecia. Minha senhora mudava. Seus cabelos azuis escureciam, sua pela velha rejuvenescia e dava lugar a uma pela branca, lisa e quente ao toque. Seu rosto tomava de volta a beleza que a muito escondia. Assim D. Leonor desaparecia e em seu lugar surgia a bela Lenora. Sim. Lenora e D.Leonor eram a mesma pessoa.
Agora. Deixe-me explicar. Minha senhora é o segundo Vampiro mais velho sobre a terra. Só perdendo para o Vampiro Alfa, Caim. Sim, esse mesmo. Os séculos lhe deram habilidades que outros vampiros não possuem. Ela pode caminhar por breves períodos a luz do dia. Ela chegou no Brasil, no porão do primeiro navio negreiro que desembarcou por aqui. E tem vivido todo esse tempo às escondidas. Para não levantar suspeitas de sua presença resolveu se esconder em uma pele de velha. Assim mudando sempre, ninguém jamais desconfiaria. Mas agora isso tinha acabado o sangue especial que ela tanto esperou tinha vindo bater a sua porta. Uma virgem. Fruto de curiosa miscigenação.
A noticia que corre nos corredores do prédio agora, é a viagem que a Santa do Arouche vez. Mas sua bela neta ainda esta no apartamento. Ela e a bela protegida de D.Leonor. Mas são raramente vistas. Estudam muito comentam os mais curiosos. Mas só eu sei. A jovem Érika e a bela Lenora, são amantes. Que a jovem Érika agora faz parte do mais seleto dos clãs. O dos vampiros. Juntas, elas caçam na noite de São Paulo. Nada escapa da voraz sede de sangue. Seu lugar preferido é a região da Rua Augusta e a boca do lixo. Chega de meninos de rua e desabrigados. Agora, só sangue de executivos. Quanto ao “padrasto” bem... Agora nada mais é que um escravo. Ele toma conta delas quando o sol esta no céu. Mas nem tudo tem um final feliz. Eu não sou mais necessário. Elas têm uma a outra. Agora não tenho mais mestre sou livre. Poso correr pelos telhados. Uma noite dessas, eu as vi. Aqui perto do beco. Alimentavam-se de um rico e gordo executivo. Que provavelmente ligou para esposa dizendo que iria trabalhar ate tarde. Eu vou seguindo minha vida. Fiquei sabendo que outro vampiro visita uma jovem aqui perto quem sabe ele não quer um gato.



MH: Se encontrar uma bondosa senhora de cabelo azul ou duas belas jovens, cuidado pode acabar mal.

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